Adoro observar, prestar atenção às coisas que estão ao meu redor. Quando estou com tempo gosto de observar os rostos das pessoas desconhecidas nas ruas. E existe lugar melhor para isso que o centro belohorizontino? Miolinho pitoresco esse, que parece um formigueiro. Só descansa em dia de domingo, feriado e durante a madrugada.
Dia de semana é sempre assim: cheio de gente prá lá e prá cá, se esbarrando, correndo contra o tempo atrás de não sei o quê. Olhando nos relógios, nas vitrines. Ou buzinando dentro de seus automóveis no trânsito engarrafado da Av. Afonso Pena, em hora de rush.
Cada um com suas particularidades, num anonimato do cotidiano de uma capital como outra qualquer. O que mais me intriga (inclusive já troquei experiências com amigos meus) é o número de pessoas que falam sozinhas nas ruas. Isso mesmo! Comecei a observar. Parece esquisitice, mas é possível ver cidadãos mantendo um diálogo longo com seus próprios “botões”. Gesticulam, riem, fazem expressões de discordância, mas ao seu lado não tem ninguém.
Você, que lê este texto agora deve estar achando que me refiro a esses “loucos de pedra” que vemos perambulando pelas ruas. Pelo contrário, na maioria das vezes são executivos engravatados, jovens estudantes, mulheres impecavelmente vestidas, símbolos da normalidade. Tentei achar motivos plausíveis para explicar porque isso acontece. De imediato culpei o stress. Essa vida agitada, essa correria, deixa as pessoas meio desorganizadas psicologicamente. Depois pensei nos problemas do cotidiano que nos deixa meio “pirados” e às vezes falar sozinho é a única forma que essa gente tem de extravasar. Pensar em voz alta, talvez. Pode ser crise econômica também. Afinal tudo é culpa da bendita ......
Mas, outro dia ao observar minha filha falando sozinha com suas bonecas, lembrei do “amigo imaginário” da infância. Quem nunca teve um?
As crianças inventam esses amiguinhos invisíveis nos quais ficam horas conversando, brincando e rindo também. Os psicólogos admitem ser saudável isso e vêem nesse comportamento infantil um meio da criança desenvolver sua imaginação e criatividade.
Até um nome poético para o ato de falar sozinho encontrei: “solilóquio”. E pasmem! Existe o verbo soliloquiar no dicionário, que é o mesmo que monologar.
Comecei a perceber que esse negócio de sair por aí aos ventos “parlando” consigo próprio não é assim tão estaparfúdio ....Até no Aurélio tem.....
Quantas vezes vemos um motorista com rádio ligado cantando alegremente em seu carro, mas sem passageiros. Aquele homem falando ao celular ali do outro lado da rua, grita e esbraveja, aponta para uma direção, mas cadê o receptor? É cômico e não consigo segurar o riso...
Mas não é que me peguei também rindo sozinha assistindo a uma comédia de TV, e comentando sobre algo absurdo naqueles jornais sensacionalistas de final de tarde.... Revisando este texto em voz alta....Olhei para o lado: ninguém! Epa!
domingo, 1 de março de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Belo Horizonte não tem carnaval. Ainda bem....
Todo mundo sabe disso.....Neste momento podemos dizer que 80 % do belorizontinos estão longe daqui. Ou em alguma praia do reduto mineiro (Cabo Frio- Porto Seguro-Guarapari) ou então em algum cidade histórica abarrotada de gente de tudo quanto é canto.Eu por vários motivos, que não vem ao caso e também estou com preguiça de citar, (definitivamente não foi por falta de convite), estou na "cidade fantasma" que vira BH no Carnaval.Dá para descer a Avenida Afonso Pena rolando e pelada.Não tem fila e não tem trânsito. Para quem anda estressado, como eu no momento, é ótimo para descansar. Dormir, comer, andar de carro, caminhar na rua sem eira nem beira, ir ao clube,ouvir música, ir ao cinema etc...etc...etc.
Eu me encontro no "famoso Bloco do Eu Sozinho" da música do Los Hermanos e muito bem obrigada.Por favor não pensem que não gosto de folia. Gosto, mas faço isso em várias outras épocas, sem ter que passar por todos os contratempos que o período "festivo" oferece.
Minto gente...Acabei de lembra que BH tem carnaval sim" na via 240 , em Vespasiano e Nova Lima. Só que tem um detalhe, lá ninguém tá cantando a "Cabelereira do Zezé" ou "Bandeira Branca" com aqueles dois dedinhos indicadores inocentemente levantados, com batalha de confete e serpentina....
Eu me encontro no "famoso Bloco do Eu Sozinho" da música do Los Hermanos e muito bem obrigada.Por favor não pensem que não gosto de folia. Gosto, mas faço isso em várias outras épocas, sem ter que passar por todos os contratempos que o período "festivo" oferece.
Minto gente...Acabei de lembra que BH tem carnaval sim" na via 240 , em Vespasiano e Nova Lima. Só que tem um detalhe, lá ninguém tá cantando a "Cabelereira do Zezé" ou "Bandeira Branca" com aqueles dois dedinhos indicadores inocentemente levantados, com batalha de confete e serpentina....
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Mais Carne e menos músculo Por Xico Sá
Amo demais este cronista. Nada mais vem à calhar do que este texto em época de "ziriguidum e balacabaco".Suas crônicas também são publicadas toda sexta no Jornal Mineiro "O Tempo"
MODOS DE MACHO - Mais carne e menos músculo
(BR Press) - Minha amiga D., fornecedora de grandes motes para este cronista muitas vezes perdido e sem assunto, debate comigo: “Cadê a carne do carnaval dos últimos desfiles, a carne que deu origem ao batismo da festa religiosa, agora só vejo músculos, como se todas as mulheres da avenida tivessem virado travestis”, ela protesta. “Lembra as carnes balançando diante das câmeras, o grande e lindo açougue humano?”, a mesma moça decente cutuca os sovacos da polêmica. Eu dou corda, a discussão é mais que procedente, não acham?
E não vale apenas para as passarelas e avenidas. Vale para tudo nesse mundo. Repare bem, não estamos tratando de gordas e magras, de uns quilinhos a menos e de uns quilinhos a mais. O nó é mais embaixo.
O que pega, amigo, é a falta de maciez mesmo, a confortável amaciante das carnes das moças, air-bags que nos protegiam contra a dureza e grosseria do mundo, aquela coisa reconfortante, colo para além do simplesmente materno, aconchego, “venha para cá meu nego”, o homem é a terra, é a luta, a batalha, mas também o repouso do guerreiro.
Músculos de zagueiro
Esses corpos da avenida não são mais os corpos originais de mulheres para os quais fomos sentimentalmente educados. Claro, acostumamos, mulheres são mulheres e padrões publicitários são padrões publicitários.
Mas, amigo, é muito músculo forçado, muita academia mesmo, elas estão mais fortes do que todos os zagueiros que enfrentamos nas nossas peladas amadoras. Sim, entendo, não pode relaxar muito, questão até de saúde, tem que correr, Lola, fazer algum esporte, mas, peraí, sem exagero, moça.
Até pode ser uma boa onda transar com uma musculosa dessas, tipo capa de revista, afinal de contas estamos drogados por estas imagens que poluem o branco dos nossos olhos a cada segundo, mas, amigo, é desconfortável demais da conta dormir com uma criatura dessas. Amanhecemos todo quebrado, todo dolorido, é como se dormíssemos com o Mike Tyson.
Com o microfone, nessa tribuna livre sobre o tema, ele, Roberto, o rei: “Gosto de me encostar/ Nesse seu decote quando te abraço/ De ter onde pegar/ Nessa maciez enquanto te amasso.” É aquela canção sobre as cheinhas, bela elegia. O rei é meio marqueteiro sentimental, mas o cara sabe das coisas, com a ajuda da pena e dos acordes do Erasmo, claro.
Ora, uma perna pode ser bonita sem ser obrigatoriamente tão musculosa, tão perna de traveco ou de homem. Assim valendo também, lição primária de anatomia, para braços, barrigas, rádios, perônios.
Mais carne e menos músculo, sr. açougueiro do balcão da humanidade, e um contrapeso de coração, se é que você me entende, se é que não é pedir muito em pleno carnaval de Pernambuco, o melhor carnaval de todas as galáxias de todos os tempos.
& MODINHAS DE FÊMEA
Como já é tradição, recomendo, vale para quem brinca, vale para quem se retira, escute agora mesmo, no vinil ou no MP3, na rádio Educadora do Crato ou na Inconfidência de Minas, a mais linda canção para este período. Com vocês, Antônio Maria, dele e de Luiz Bonfá, “Manhã de Carnaval”: “Manhã, tão bonita manhã,/ Na vida, uma nova canção Em cada flor, o amor,/ Em cada amor, o bem/ O bem do amor faz bem/ Ao coração.../Então vamos juntos cantar,/O azul da manhã que nasceu,/O dia já vem.../E em seu lindo olhar / Também, amanheceu.../Canta o meu coração,/A alegria voltou/Tão feliz na manhã/Desse amor..."
(*) Xico Sá é colunista da BR Press. Fale com ele pelo e-mail xicosa@brpress.net. Ou pelo Blog do Leitor, no site www.brpress.net
MODOS DE MACHO - Mais carne e menos músculo
(BR Press) - Minha amiga D., fornecedora de grandes motes para este cronista muitas vezes perdido e sem assunto, debate comigo: “Cadê a carne do carnaval dos últimos desfiles, a carne que deu origem ao batismo da festa religiosa, agora só vejo músculos, como se todas as mulheres da avenida tivessem virado travestis”, ela protesta. “Lembra as carnes balançando diante das câmeras, o grande e lindo açougue humano?”, a mesma moça decente cutuca os sovacos da polêmica. Eu dou corda, a discussão é mais que procedente, não acham?
E não vale apenas para as passarelas e avenidas. Vale para tudo nesse mundo. Repare bem, não estamos tratando de gordas e magras, de uns quilinhos a menos e de uns quilinhos a mais. O nó é mais embaixo.
O que pega, amigo, é a falta de maciez mesmo, a confortável amaciante das carnes das moças, air-bags que nos protegiam contra a dureza e grosseria do mundo, aquela coisa reconfortante, colo para além do simplesmente materno, aconchego, “venha para cá meu nego”, o homem é a terra, é a luta, a batalha, mas também o repouso do guerreiro.
Músculos de zagueiro
Esses corpos da avenida não são mais os corpos originais de mulheres para os quais fomos sentimentalmente educados. Claro, acostumamos, mulheres são mulheres e padrões publicitários são padrões publicitários.
Mas, amigo, é muito músculo forçado, muita academia mesmo, elas estão mais fortes do que todos os zagueiros que enfrentamos nas nossas peladas amadoras. Sim, entendo, não pode relaxar muito, questão até de saúde, tem que correr, Lola, fazer algum esporte, mas, peraí, sem exagero, moça.
Até pode ser uma boa onda transar com uma musculosa dessas, tipo capa de revista, afinal de contas estamos drogados por estas imagens que poluem o branco dos nossos olhos a cada segundo, mas, amigo, é desconfortável demais da conta dormir com uma criatura dessas. Amanhecemos todo quebrado, todo dolorido, é como se dormíssemos com o Mike Tyson.
Com o microfone, nessa tribuna livre sobre o tema, ele, Roberto, o rei: “Gosto de me encostar/ Nesse seu decote quando te abraço/ De ter onde pegar/ Nessa maciez enquanto te amasso.” É aquela canção sobre as cheinhas, bela elegia. O rei é meio marqueteiro sentimental, mas o cara sabe das coisas, com a ajuda da pena e dos acordes do Erasmo, claro.
Ora, uma perna pode ser bonita sem ser obrigatoriamente tão musculosa, tão perna de traveco ou de homem. Assim valendo também, lição primária de anatomia, para braços, barrigas, rádios, perônios.
Mais carne e menos músculo, sr. açougueiro do balcão da humanidade, e um contrapeso de coração, se é que você me entende, se é que não é pedir muito em pleno carnaval de Pernambuco, o melhor carnaval de todas as galáxias de todos os tempos.
& MODINHAS DE FÊMEA
Como já é tradição, recomendo, vale para quem brinca, vale para quem se retira, escute agora mesmo, no vinil ou no MP3, na rádio Educadora do Crato ou na Inconfidência de Minas, a mais linda canção para este período. Com vocês, Antônio Maria, dele e de Luiz Bonfá, “Manhã de Carnaval”: “Manhã, tão bonita manhã,/ Na vida, uma nova canção Em cada flor, o amor,/ Em cada amor, o bem/ O bem do amor faz bem/ Ao coração.../Então vamos juntos cantar,/O azul da manhã que nasceu,/O dia já vem.../E em seu lindo olhar / Também, amanheceu.../Canta o meu coração,/A alegria voltou/Tão feliz na manhã/Desse amor..."
(*) Xico Sá é colunista da BR Press. Fale com ele pelo e-mail xicosa@brpress.net. Ou pelo Blog do Leitor, no site www.brpress.net
Assinar:
Postagens (Atom)
